"Pecados Íntimos" (Little Children) é um daqueles raros, cada vez mais raros, filmes adultos, ou seja: que fazem pensar e que perturbam o coro dos contentes. Vendo o sofrimento de toda aqueles personagens de classe média alta americana e suburbana, comecei a pensar que a minha vida era quase um biscoito em comparação. O inferno são os outros, já dizia Sartre na sua melhor peça, em que um sujeito se via atormentado eternidade adentro por duas mulheres. O filme vai por aí, mostrando que o inferno localiza-se onde houver homens, mulheres e crianças vivendo juntos, ou seja em qualquer lugar, nas nossas vizinhanças, por exemplo. Tais idéias já foram exploradas antes por filmes como "Felicidade", "Beleza Americana" e até por séries de TV como "Desperate Housewifes", sendo que todos esses exemplos tratavam o tema com mais humor. A meu ver a debilidade das vidas infantilizadas dos protagonistas não é redimida ao final do filme. Só existem esperanças para a personagem de Kate Wislett, que pode vir a melhorar como mãe. Os homens são retratados como seres patéticos e dependentes, ou eternos adolescentes agarrados à mãe, o que implica freudianamente, em castração. O final me pareceu inconcluso. Lembra aqueles finais de temporadas em que você se vicia e quer logo ver o que vai acontecer em seguida.

0 Comments:
Post a Comment
<< Home