Tuesday, June 19, 2007

"Pecados Íntimos" (Little Children) é um daqueles raros, cada vez mais raros, filmes adultos, ou seja: que fazem pensar e que perturbam o coro dos contentes. Vendo o sofrimento de toda aqueles personagens de classe média alta americana e suburbana, comecei a pensar que a minha vida era quase um biscoito em comparação. O inferno são os outros, já dizia Sartre na sua melhor peça, em que um sujeito se via atormentado eternidade adentro por duas mulheres. O filme vai por aí, mostrando que o inferno localiza-se onde houver homens, mulheres e crianças vivendo juntos, ou seja em qualquer lugar, nas nossas vizinhanças, por exemplo. Tais idéias já foram exploradas antes por filmes como "Felicidade", "Beleza Americana" e até por séries de TV como "Desperate Housewifes", sendo que todos esses exemplos tratavam o tema com mais humor. A meu ver a debilidade das vidas infantilizadas dos protagonistas não é redimida ao final do filme. Só existem esperanças para a personagem de Kate Wislett, que pode vir a melhorar como mãe. Os homens são retratados como seres patéticos e dependentes, ou eternos adolescentes agarrados à mãe, o que implica freudianamente, em castração. O final me pareceu inconcluso. Lembra aqueles finais de temporadas em que você se vicia e quer logo ver o que vai acontecer em seguida.

Friday, June 15, 2007


Penso muitas vezes, à terceiro-mundo, que os americanos são retardados mentais. Gostaria de poder escrever isso e ponto final. Mas aí lembro dos grandes poetas americanos: Whitman, Emily Dickinson, Wallace Stevens, Eliot, Elizabeth Bishop, Marianne Moore, Philip Larkin; dos prosadores de gênio: Melville, Faulkner, Flannery O'Connor, Cormarc Macarthy; das cantoras e cantores de jazz: Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Mahalia Jackson, Chet Baker, Louis Armstrong, dos cineastas de peso: Francis Ford Coppola, Terence Malick, Arthur Penn, Don Siegel, Robert Altman, Sam Peckinpah, Quentin Tarantino; dos críticos atilados: Harold Bloom, Edmund Wilson, Robert Hugues, das bandas de rock sem par: Velvet Underground, Stooges, Blondie, Patti Smith, Television, Suicide, etc, e me vejo engolindo minhas palavras ranhetas. A cultura unifica os povos, não a cultura da guerra e das armas nem a subcultura do consumismo a qualquer preço em que vivemos, mas a cultura, ponto.
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P.S.: O esporte nacional dos europeus é esnobar os EUA. Freud dizia que a América foi o grande erro de Colombo. E em "Crime e Castigo", de Dostoiévski, temos o sinistro Svidrigailov, que, antes de se suicidar com um tiro, explica-se: "Para a América!"

Monday, June 11, 2007

Na solidão do quarto escreve-se muita poesia e toca-se muita punheta. Ou pior: escreve-se uma poesia que é uma punheta só.


Feist de disco novo. Sua voz bela, rouca, anda badaladíssima. O título do cd é The Reminder. Ainda não ouvi, não, mas li por aí que é um disco meio difícil. Mas com algumas canções viciantes. Depois que eu baixar, pedir emprestado, roubar ou gravar digo pra vocês o que achei.


São Luís é como uma mulher bonita, mas mal ajambrada, por não ter a menor noção de como se vestir direito. É bela, às vezes. No geral é de uma vulgaridade sincera e espalhafatosa.

Ah, e essa garganta inflamada logo depois de pagar a inscrição numa academia de ginástica? De molho em casa. Nada de esteira e bicicleta. Apenas livros, papéis, mp3. Mas amanhã, como dizia Scarlett, é outro dia.


Pois é. Está à venda. Calma, calma minha gente!

Saturday, June 09, 2007

A humilhação de acordar transformado em um inseto repugnante. Não, esqueçam Kafka. Isso eu chamo de ressaca.