Monday, July 30, 2007


"Eu estou tão cansado de você, América". Sim, sim, Rufus, somos dois. Esses seus versos melancólicos embalados por ritmos tristonhos não me saem da cabeça, e para mim já servem de prova: você não é só um Thom Yorke com um penteado decente. Continue entoando a minha, a sua, a nossa deprê braba, você e o Antony.

Saturday, July 28, 2007


Quase suicida - um estágio larvar, intermédio. Antes era minha poesia. Agora só o horror a meu próprio sangue me salva.

Thursday, July 26, 2007

Pesquisar coisas úteis para o apê. Copos. Pratos. Escorredor de macarrão. Xícaras. Lixeiras. Toalhas, colchas, lençóis. Comparar preços, rótulos, marcas, formatos, tamanhos. E só comprar um livro novo.

Mais uma festa, mais uma curtição, mais um agito, mais uma sensação, mais uma loucura, mais uma noite, mais uma dose, mais uma balada, mais uma cerveja, mais uma música. Menos eu.

Manhã de cal e de silêncio, transtorno de travesseiros, roupas no chão, objetos jogados, gestos derrotados pelo desânimo. Os raios de sol da aurora me atingem como um tapa. Tantas decisões a tomar e nenhuma convicção para nada.

Há quem não creia em amor. E eu, que não acredito mais nem em amizade, como fico?

Sunday, July 22, 2007

Existem verdades que não colam. Palavras que se usam mal. Amizades que não funcionam. Intenções que fracassam. Namoros que se estragam. Belezas que são relativas. Corpos que são meras mercadorias. Olhos que são cruéis. Existem sobretudo vaidades. Cortes de cabelo. Tênis. Deselegâncias. E um tédio mortal que força um bocejo.


Acordo cedo hoje, telefono para uns amigos e fico sabendo que andei "pirando horrores na boate". Mas qual boate? Fiquei indo e vindo entre duas. Numa delas, tentei me divertir bebendo uma cerveja no sofazinho enquanto o povo do bar causava. Tinha um gorduchinho na minha frente realizando uma coreografia inclassificável. Depois que se saciou, sentou perto de mim e grunhiu algo numa língua engrolada. Fui incapaz de compreender. Apelei prum rapaz que estava do lado dele: "Traduz?"
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Já a outra casa estava péssima como sempre, o DJ era uma fraude, e me senti sufocado na pista quando anunciaram a atração da noite, um stripper marombado. Me refugiei no ambiente retrô, que estava menos lotado. Talvez por causa da música disco: Jesse Green, ABBA, essas velharias todas que eu adoro. A gurizada da ilha só escuta bate-estaca, axé ou, horror dos horrores, forró.

Saturday, July 21, 2007

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Dias de um sol excruciante, do tipo que pede um bom fator trinta, óculos escuros e poucas, levíssimas roupas. Pena que praia não seja muito a minha praia. Espero a hora que escalda menos pra pôr o pé na rua. Graças a mim mesmo não sou dependente de ar-condicionado. Meu barato é ventilador: não consigo dormir sem aquele barulhinho das hélices na potência 2. Tenho a ilusão que o vento atrapalha o vôo dos mosquitos. Um perigo constante é o de contrair uma dessas viroses de verão, das que derrubam todo mundo. Seja como for, permaneço branco como uma vela. A vida toda passei me esquivando do sol ou do sofrimento. Haja protetor solar.


Tenho escrito cada vez menos. Venho fazendo as coisas no piloto automático, sem filosofices ou elucubrações. Tenho assumido minha solidão tranqüilamente. Tenho visto mais filmes. Bebido mais. Lido e relido livros. Tenho malhado. Ouvido muita música. Fumado cigarros oferecidos por figuras estranhas. Tenho conhecido todo tipo de pessoa. E me fodido em meu péssimo hábito de cobrar posturas dos que me são caros e que não estão nem aí. Tenho ouvido muita abobrinha. Tenho falado outras tantas. Tenho escutado o que eu já confessei sendo usado contra mim. Tenho sido cantado por quem não me atrai. E tenho cantado quem não sente atração por mim. Tenho um lado pateta que me salva de pirar levando tudo a ferro e fogo.


Nada mais espinhoso que namoro de amigo íntimo. Quando aquela sua queridíssima ou seu irmãozinho anunciam: arriei os 4 pneus por fulano ou beltrana. E você não sabe como reagir. Se demonstra ódio logo de cara pega muito mal. Se faz a linha aprovação do relacionamento você finge uma coisa e fica se mordendo por dentro. Arranjar um namorado(a) também pode ser uma saída. Ou uma cilada. Disparar mil comentários maldosos sobre a tal figura pros amigos mais víboras é um tiro que pode sair pela culatra. Seja como for a amizade muda, chega a um impasse, a um beco-sem-saída. Vira um progressivo adeus. Os encontros e as saídas de vocês vão escasseando, e um dia cessam. O seu amigo ou amiga decide se afastar porque nota que o ser amado e você não se bicam. E agora, byebye. Situação dramática, quem nunca a viveu que atire a primeira pedra.

Tuesday, July 17, 2007

Um bar lounge parecia algo lounge demais de nossa capital. Mas inaugurou. Fui sábado conferir, achei legal, mas não sei se pega. Os garçons pareciam meio estressados, sei lá com o quê, esquecendo detalhezinhos como pôr os guardanapos nas long necks, enxugar o balcão, essas sutilezas que fazem a diferença no atendimento. Na quinta-feira saía gente pelo ladrão, garantiu o DJ. O motivo do movimento ameno? Um show do inominável Babado Novo na mesma noite. Essas coisas que a classe média breguérrima da ilha adora, com todos vestidos de abadá o ano inteiro.
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Passei numa outra casa noturna, mas foi um erro. O DJ rolava Ed Motta. E não tinha vivalma lá. Talvez uma coisa esteja relacionada com a outra. Também deixo de ir a lugares pela música chata que tocam. Voltei ao bar lounge, e surpresa, vazio. Fechado o bar, rolava uma jam session entre o DJ e a dona do bar, ouvindo psy, trance ou sei lá que diabo, um monte de música não-dançável nem curtível. Uma droga não ter carro. Tive que esperar o amanhecer pra poder pegar a minha carruagem-abóbora.

Wednesday, July 04, 2007


O disco novo da Feist é ok. O novo dos Chemical Brothers é ok. O último do Bryan Ferry também é ok. Não são obras-primas, mas também não são nada desprezíveis, ok?

Sunday, July 01, 2007

CASAMENTOS


Há um indisfarçável constrangimento no rosto de um homem no dia de seu próprio enlace matrimonial, já uma noiva no altar sempre ostenta um ar de êxtase sublime que faz a Santa Teresa D'Ávila de Bernini parecer uma simples estátua de pedra.