Thursday, April 12, 2007


Acordei ontem sentindo uma dor dilacerante. Parecia um serrote me estraçalhando ao meio. Fui levado por meus pais atônitos ao hospital. A minha mente temia assinalar uma das opções a seguir: a. Câncer b. Apendicite c. Cálculo renal d. todas as alternativas... O médico me garantiu que a resposta correta era a letra c. Para assegurar, me fizeram uma ultrassom. Tenho vagas lembranças de tudo o que me ocorreu, apenas flashes desse dia de cão. É que depois de me contorcer de dor fui logo entubado e posto em grogue. Recordo a boca seca por causa do Buscopan. A bexiga vazia que impedia a tralha eletrônica de fazer uma leitura eficiente. A obrigação torturante de beber seis copos d'água para poder fazer o raio do exame. O suplício da espera, sentado numa cadeira de rodas, numa salinha em que havia um garoto de uns sete anos com os pais, estes dando apoio para menino, que me espiava dentro de seu silêncio feroz enquanto eu me esforçava para não explodir em berros. O gel gelado que derramaram na minha barriga duas vezes. O médico no escuro dizendo que a minha pedrinha não era grande, tinha apenas 6 mm. Para mim era do tamanho de uma bola de basquete. Depois, a maca. O apagão. Eu indo e vindo, entre o sonâmbulo e o devaneante. Meus pais revezando-se ao meu lado. Foi só quando senti fome que percebi que já estava bem melhor. O cálculo, pelos meus cálculos, ainda não foi expelido. Minha espinha gela só de pensar que este filme de terror pode ter uma continuação...

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