Mal ouvi e já simpatizei com os Infadels. A música é "Cant Get Enough", mas não se trata de uma versão prum velho hit do Depeche Mode. É inédita e bacaninha. Dá para remexer o esqueleto na pista. Ou de frente pro computador mesmo.
Andrew Bird (foto) jogou disco novo nas lojas e - é até redundante dizer isso quando se trata deste artista - ficou muito bom. O cantor norte-americano, que também é multi-instrumentista (toca de tudo nos seus álbuns, e ainda assovia!) expeliu em 2009 Noble Beast, seu oitavo trabalho.
Os primeiros discos de Andrew são mais jazzísticos. O disco dele mais famoso, embora o cantor não seja particularmente famoso por aqui, deve ser, graças à música "Sovay", o sexto, The Mysterious Production of Eggs (2005) tão bom quanto este novo que contém catorze faixas inéditas.
Bird também lançou, ainda em 2009, o EP Fitz and the Dizzy Spells, com faixas que ficaram de fora na gravação do novo álbum.
O grande destaque de Noble Beast é a faixa "Not a Robot, But a Ghost". De cara a minha favorita. Mas o disco todo merece ser ouvido com atenção. Aos bocadinhos. Até conquistar de vez.
Cansado de ouvir bandinhas zoadentas, que em 2009 ainda fazem uma imitação barata dos Strokes (que por sua vez já imitavam o bom e velho Velvet Underground)?
Então talvez você deva dar uma escutada em My Maudlin Career, o novo disco do Camera Obscura (foto), lançado em 2009 pelo selo 4AD (aquele mesmo que, nos anos 80, foi responsável pelos mágicos discos dos Cocteau Twins e do Bauhaus). Só não espere desses escoceses baladas açucaradas ao ponto de serem melosas, nem faixas dançantes para se jogar numa pista de dança. A vocalista Tracynne Campbell gonga geral e avisa que a banda não faz nada disso.
Desde o primeiro disco, Biggest Bluest Hi Fi, de 2001 (a banda foi formada em 1996) os integrantes do Camera Obscura estão atrás de um pop límpido e absolutamente perfeito, como o que praticavam os seus amados Smiths e Lloyd Cole And The Commotions. Com o disco lançado agora chegam bem perto disso. Confiram o vídeo da faixa de abertura:
White Rabbits é uma banda do Brooklin, NY, cujos integrantes vieram da cidade de Columbia, no estado do Missouri. Os White Rabbits começaram como um quinteto encabeçado pelos vocalistas e instrumentistas Gregory Roberts (guitarra) e Stephen Patterson (piano). 2007 foi o ano em que lançaram o primeiro disco, For Nightly, aclamado pela crítica como um dos melhores daquele ano.
Pois bem, em 2009, os coelhos ressurgiram, desta vez como um sexteto, incorporando Jamie Levinson à formação original. Levenson e Roberts eram vizinhos, no Missouri, e juntos integraram uma banda (The Hubcaps) formada nos tempos de colegial.
O disco novo dos White Rabbits, lançado este ano, chama-se It's Frightening. E contrariando o título, o cd não é nada assustador, pelo contrário, é muito, muito bacana mesmo. Foi produzido por Britt Daniel, vocalista e guitarrista do Spoon. Eis a capa:
It's Frightening me parece outro sério candidato a disco do ano. Já há um bocado deles circulando por aí, como os novos trabalhos do Gossip, de Richard Hawley e do Camera Obscura, que em breve comentarei. Tais lançamentos comprovam que a safra roqueira de 2009 tem sido bem mais produtiva e generosa que a de 2008.
O Ludov (foto) está com um magnífico disco novo, chamado Caligrafia, em que o pop/rock da banda é levado um passo adiante, com levadas do rock alternativo contemporâneo, discretas alusões à MPB (Caligrafia quase ousou ser um disco de samba) e aos Mutantes, pinceladas de música eletrônica aqui e ali.
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Há, neste novo disco, várias candidatas a ocupar o posto de "Princesa", grande sucesso do Ludovaté então. "Vinte por Cento" e "Luta Livre" são ótimas e divertidas. "Paris, Texas" é linda. O disco todo acumula pontos altos e destaques, mantendo uma unidade e um vigor criativos raros hoje, mas presentes, por exemplo, nos melhores discos do Pato Fu.
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Mas a melhor notícia é a seguinte: a banda disponibilizou todas as faixas do novo trabalho para serem ouvidas ou baixadas, gratuitamente, pelo ótimo site Mondo77.fm. Tá esperando o quê?