
Sempre gostei de Bob Dylan. Lembro perfeitamente de ouvi-lo a primeira vez no rádio. A música era "Like a Rolling Stone" e ao escutá-la fui tomado por uma emoção nova, fiquei completamente ligado. Só vivi algo semelhante anos depois no Rio, quando tocou uma versão ao vivo de "When The Music Is Over", dos Doors, na extinta Fluminense Fm, a rádio rock carioca que tocava de Cramps a Bowie, punks e pós-punks, entre mil e uma zoeiras inclassificáveis.
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Mas ouvir Dylan nas rádios Fm de São Luís era como um milagre, pois aquela música era uma coisa totalmente diferente: inteligente, crítica, trepidante, cheia de energia. Em nossa casa tínhamos poucos discos. Coletâneas de MPB, Chico, Tom Jobim, trilhas nacionais de novelas. Dylan insinuava com suas canções fulminantes e inesperadas tocando no rádio que a boa música era como um tesouro por descobrir, algo que podia ser tremendamente ousado, inventivo e divertido. Os anos 60 resplandeciam dourados a mim que amargava com desolação o rock tchaptchura dos anos 80 e a música brega dominante: Joana, Rosana, Fábio Jr, argh.
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Felizmente ouvir um Dylan em FM não era impossível naqueles tempos. Hoje nem ligo rádio com medo de que a porcariada atual provoque danos cerebrais irreversíveis.
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Atualmente estou lendo as Crônicas, Volume 1, do Bob Dylan. Recomendo a leitura. Assim como recomendo a audição dos discos Blood On The Tracks ou Blonde On Blonde. Sempre. Depois comento o livro de Bob Dylan aqui, mas posso adiantar que ele desveste o manto do mito e nos mostra simplesmente o homem, que gostava da vida familiar, e era avesso a badalações e a todo aquele clima ripongo maluco-beleza dos anos 60. Ponto para ele.