Tuesday, September 18, 2007

O poder da gata



E minha música favorita de todos os tempos eu ouvi faz coisa de um mês. É "Lived in Bars", da Cat Power (foto). Já ouvi zilhões de vezes depois disso. Sempre emocionadíssimo.

Nada mais melancólico, nada mais lindo.

Cat Power vem ao Brasil cantar no Tim Festival, bem como Björk, a maravilhosa Feist e o divino Antony And The Johnsons.

Mas eu não vou! Buá.. :'-(

Os ingressos já estão todos esgotados, eu só tiro férias em 2008... e a vida não presta.

Saturday, September 08, 2007


O Lovage (foto) é uma banda que só "descobri" agora, mas o primeiro disco deles Music To Make Love To You Old Lady é de 2001, ou seja, dum período em que eu praticamente só ouvia trip hop: Portishead, Morcheeba, Moloko, Saint Etienne ou rock com pitadas eletrônicas. Sei que o trip hop morreu. Mas o disco deles é tudo, reconheço tardiamente. Minhas favoritas: "Sex (I'm A)" que é quase um "Je T'Aime Moi Non Plus" dos nossos tempos, encerrando com todos os gemidos e ofegos de uma transa tórrida, com direito até a um 'fuckin' piece of shit' quase no final.
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Curiosamente o Lovage é um dos projetos do Mike Patton (aquele mesmo do Faith No More) que se juntou com Jennifer Charles (vocalista do climático Elysian Fields), Dan Nakamura (um dos produtores do Gorillaz) e o DJ canadense Kid Coala. Sexo é o grande assunto desse primeiro e quase único disco deles (eu sei, eles tem um outro, mas só de versões instrumentais das músicas do anterior). As letras e intenções do grupo são bem paródicas, mas tudo soa muito sexy, rendendo um climão pra se fazer loucuras na cama, segundo os depoimentos empolgados do povo da comunidade Fuck Music, do Orkut, onde ouvi falar deles e daí resolvi conferir.
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Ouçam deles, pra começar "Archie & Veronica" ou "Strangers In A Train". Eu simplesmente a-do-ro.


Sempre gostei de Bob Dylan. Lembro perfeitamente de ouvi-lo a primeira vez no rádio. A música era "Like a Rolling Stone" e ao escutá-la fui tomado por uma emoção nova, fiquei completamente ligado. Só vivi algo semelhante anos depois no Rio, quando tocou uma versão ao vivo de "When The Music Is Over", dos Doors, na extinta Fluminense Fm, a rádio rock carioca que tocava de Cramps a Bowie, punks e pós-punks, entre mil e uma zoeiras inclassificáveis.
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Mas ouvir Dylan nas rádios Fm de São Luís era como um milagre, pois aquela música era uma coisa totalmente diferente: inteligente, crítica, trepidante, cheia de energia. Em nossa casa tínhamos poucos discos. Coletâneas de MPB, Chico, Tom Jobim, trilhas nacionais de novelas. Dylan insinuava com suas canções fulminantes e inesperadas tocando no rádio que a boa música era como um tesouro por descobrir, algo que podia ser tremendamente ousado, inventivo e divertido. Os anos 60 resplandeciam dourados a mim que amargava com desolação o rock tchaptchura dos anos 80 e a música brega dominante: Joana, Rosana, Fábio Jr, argh.
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Felizmente ouvir um Dylan em FM não era impossível naqueles tempos. Hoje nem ligo rádio com medo de que a porcariada atual provoque danos cerebrais irreversíveis.
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Atualmente estou lendo as Crônicas, Volume 1, do Bob Dylan. Recomendo a leitura. Assim como recomendo a audição dos discos Blood On The Tracks ou Blonde On Blonde. Sempre. Depois comento o livro de Bob Dylan aqui, mas posso adiantar que ele desveste o manto do mito e nos mostra simplesmente o homem, que gostava da vida familiar, e era avesso a badalações e a todo aquele clima ripongo maluco-beleza dos anos 60. Ponto para ele.